By: Michel Delgallo On: outubro 02, 2016 In: Problemas Comentários: 0

O momento atual do Brasil somente aumentou a volatilidade da situação e a radicalização. A certeza de cada um de cada lado só faz aumentar o risco de mais dificuldades. Conflitos de surdos e tapados, ou seja, aqueles que ainda não entenderam que precisamos de bom senso para salvar o País somente aumenta.

As certezas chocam o bom senso e aumentam a insegurança. O mercado parece que pula ao redor de si mesmo como um coelhinho destreinado e superexcitado, apostando no que acredita sem se dar conta que o pior está por vir, pois os problemas que foram criados nos últimos 10 anos são de dificílima solução, e muitas crises ainda virão.

Não sou pessimista, mas também não posso ser otimista. Não é a hora. Os números são cruéis. O desemprego é um vilão e as dívidas da nação um fantasma. A aposentadoria um espantalho e as pesquisas uma psique sem limites. É um fla-flu misturado com H1N1. Ninguém sabe nada, mas quer tomar para se precaver do que nem entendeu direito.

Pesquisas bem conduzidas deixam os cientistas políticos sem saber para onde caminhar. Os empresários acham que saindo a Dilma e mercado volta a bombar e os crentes em Lula e PT acham que há sempre recurso infinito para continuar a gastar e manter o mercado aquecido.

O único padrão comportamental que vemos é a radicalização emocional. Ouvindo os lados, ficamos perplexos. Todos estão certos, ninguém é culpado e todos merecem o poder. Sem contar o dinheiro que não é deles, mas que podem usar. Políticos de todos os lados da arquibancada se digladiam com as mesmas pedras jogadas pelo outro lado.

Ninguém quer mudar de ideia ou de lado, só os interesseiros e oportunistas que ainda veem mais um jeitinho de ganhar mais uns trocadinhos de milhões de dólares em algumas obrinhas ou vendas de remédios aos governos, enquanto o País derrete e milhares ficam sem saúde e educação de qualidade. Anos de esforço e vitória trocados pelo desespero dos que procuram emprego ou esperança de não morrerem na praia após nadar muitos anos nas ondas de mentiras e promessas em vão.

O lado mais triste é ver a vida de quem paga imposto ridiculamente alto ao comprar qualquer produto, principalmente o pobre, ter que ouvir a descaradice e a desfaçatez de alguns malfeitores que usam cargos públicos para se deleitarem com desculpas mais que esfarrapadas.

A ética de Antígona, proposto no dilema de Dilma, não cola, e também não cola no de Cunha e Renan, sem contar outros personagens da história bem distante de nós, passada em Tebas de Sófocles. São sofrimentos imerecidos de um povo trabalhador e estressado de sempre esperar e somente ouvir mentiras.

Desafortunadamente, qualquer que seja o resultado desse jogo, o estresse continuará. Os ajustes necessários para quem vier a comandar esse navio encalhado, serão enormes e mais uma vez o povo pagará pela demagogia e mentiras jogadas ao povo como carne podre jogada aos pedintes.
As análises, por mais brandas e desesperadamente cautelosas, jogam qualquer solução para um contexto muito complicado e desesperador.

O registro histórico será cruel com os governos recentes e com o remédio necessário. Perdas enormes serão impostas aos que pela primeira vez tiraram a cabeça de suas vidas de infortúnio para um sonho de sua casa própria e vida digna, que agora desmorona e talvez desanime de vez esses lutadores
Os próximos seis meses exigirão muita calma e objetividade, coisa que parece faltar no momento.

Estamos no rabo de um furacão sendo chicoteados por todos os lados, num ciclo de inverdades e fantasias, acima de qualquer senso crítico. O que podemos esperar na nossa indústria sucateada, dos nossos trabalhadores pouco preparados por uma escola vazia e incompleta, com professores desmotivados e mal pagos. De uma País que gasta quase 40% do que se ganha com trabalho justo e honesto, para sustentar vícios políticos e assaltos aos cofres da nação. O que então podemos dizer do retorno que nosso povo merece pelo que faz e trabalha para ouvir que seus dirigentes, segurando uma bíblia ou um crucifixo, pregam de desonras e crueldade.

No horizonte da esperança, somente podemos apostar em nossa agricultura que faz sucesso porque todos trabalham dia e noite para produzir sob sol e chuva safras cada vez maiores capazes de abastecer o mundo, mas que não são suficientes para pagar toda a roubalheira e safadeza dos detentores do poder.

A história irá cobrar caro dos malandros os corruptos porque o mundo está se trocando cada vez mais transparente e dinheiros escusos serão facilmente identificados. Mas somente isso não será suficiente, também precisamos de novos líderes capazes de dizer a verdade e propor projetos com visão de sucesso no longo prazo para os filhos dos filhos desta nação.

Adicionalmente, tudo em tudo se resume uma ética sem precedentes, a uma inteligência sem precedentes e a um conjunto de empresários éticos sem precedentes também. Desde de 1900 não se via algo desonroso e escabroso como estamos vendo agora, parece um pesadelo que se mantém vivo mesmo quando acordamos. O que vemos são artificialismos contábeis e malabarismo jurídicos colocados como moeda comum.

Que este ciclo de desespero acabe logo e que não venha nascer um salvador da pátria mais uma vez, com um discurso populesco e idiossincrático.

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